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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Cultivo do gergelim é uma alternativa para o semiárido

Foto: Google imagens


O cultivo do gergelim pode ser uma das grandes alternativas para a convivência com a seca no Nordeste, diante adaptabilidade da oleaginosa à região e da sua alta valorização nos mercados interno e externo. Em palestra para pesquisadores e interessados, no auditório da Emater/RN a convite da EMPARN (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte), a pesquisadora da Embrapa Algodão, de Campina Grande/PB, Nair Helena Castro Arriel, fez uma abordagem sobre o cultivo da oleaginosa no mundo e no Brasil e as experiências desenvolvidas em vários estados.

No Rio Grande do Norte, em parceria com a EMPARN e apoio da JICA (Japan International Cooperation Agency), os experimentos estão localizados nas estações experimentais de Apodi e de Ipanguaçu, com quatro ensaios. Na primeira, a colheita deve acontecer dentro de 90 dias.

O gergelim é originário da África e da Ásia, onde estão os grandes produtores, como Nigéria e Índia, e o seu cultivo está espalhado por 67 países, sendo 27 na Ásia e 23 na África. Ao todo, no mundo são mais de 6,62 milhões de hectares cultivados e menos de 1% no Brasil, principalmente nos estados do Mato Grosso e Goiás. A produção brasileira está em torno de cinco mil toneladas, com uma produtividade de 625 quilos/hectare. O Rio Grande do Norte já teve uma produção expressiva no final da década de 1990 e início da década de 1980, em 8 mil hectares.

Cerca de 90% do gergelim produzido mundialmente são destinados ao consumo como alimento. O Brasil importa cerca de 50% do que consome, ou 10,5 mil toneladas/ano. Por isso, um programa de incentivo ao cultivo gergelim está sendo proposto para aumentar a produção, especialmente, para a agricultura familiar ter mais uma alternativa de remuneração. Segundo a pesquisadora, o preço da tonelada do gergelim no mercado internacional está cotado hoje a US$ 679,00, enquanto o preço pago ao produtor brasileiro está em torno de R$ 6,00/Kg.

Durante a exposição foram apresentadas várias tecnologias geradas e/ou adaptadas para promover o fomento da cultura no Brasil, especialmente na região Nordeste e recentemente na região Centro-Oeste, envolvendo cultivares, espaçamentos e configurações de plantio, consórcios, adubação, herbicidas, controle de pragas, máquinas simples para semeadura e desenvolvimento de receitas alternativas para confecção de produtos alimentícios.

Por possuir alta estabilidade química, a oleaginosa é usada ainda na produção de margarinas, lubrificantes, remédios, sabão, tintas e inseticidas, além de uma grande diversidade de produtos.  Muitos pesquisadores, segundo a especialista Nair Ariel, consideram o óleo de gergelim semelhante ao azeite de oliva. A semente possui entre 48% a 56% de óleo e 20% de proteínas, sendo também bastante utilizada na ração animal.

Com os avanços tecnológicos já se conta com uma disponibilidade maior de cultivares produtivas e adaptadas ao clima e ao solo do Nordeste. É necessário definir a cadeia produtiva e desenvolver estudos de mercados interno e externo, além de estimular a expansão da área cultivada.

Também foram abordados temas como o sistema de produção do gergelim em bases mais racionais de manejo, possibilitado a diversificação agrícola a partir da exploração de uma cultura com excelentes potencialidades econômicas, agronômicas e sociais, em decorrência de suas características de tolerância à seca. A pesquisadora falou ainda sobre a facilidade de manejo e obtenção de sementes com teores de óleo superior a 50%, de elevada estabilidade química, com aplicações nas indústrias alimentícias e óleo química, e potencialmente para a produção de energia, via biodiesel.

A pesquisadora Nair Ariel tem atuado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária desde 1987, possui doutorado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, quando estudou a diversidade genética em gergelim, e é docente do Programa de Pós-graduação em Ciências Agrária.

Fonte: SITE EMPARN

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